quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Interpretação de Texto - 7º Ano 01 e 02

Os dois hóspedes
(Humberto de Campos Veras)

         Entre muitos hotéis da cidade, aquele era o mais aristocrático. Situado num dos pontos mais altos, era ali que se hospedavam os viajantes mais ricos e respeitáveis, alguns dos quais acabavam fixando residência no edifício. A Bondade, a Ternura, o Ódio, a Saudade, moravam nele. Jovem e sadia, a Alegria ocupava uma torre esguia e clara que o Sol fazia faiscar, logo que amanhecia. A Tristeza, sempre vestida de negro, vivia num quarto sem luz, que apenas os morcegos visitavam. A hipocrisia habitava um subterrâneo, e a mentira, um compartimento estreito, cercado de portas falsas, que lhe facilitavam a fuga à simples aproximação da Verdade.
       Era nesse edifício que morava, chamando a atenção de todos, um cavalheiro moço, forte, musculoso, que, às vezes se mostrava doce, polido, gentil, tolerante, e outras, irritado, hostil, intransigente, e, não raro, malcriado. Era vizinho do Ciúme e, sob o menor pretexto, alternava com ele, que era, em geral, secundado pela Dúvida, cujos aposentos ficavam juntos e tinham secreta comunicação interna.
         Certo dia, esse cavalheiro, após uma discussão com os outros hóspedes, resolveu abandonar o quarto que ocupava no hotel. Foi um escândalo. Gritos, súplicas, desmaios, bater de portas e tampas de malas, tudo isso chegou até fora, alertando a vizinhança. O cavalheiro foi-se, porém, embora, deixando vazio o quarto em que o iam visitar, alternadamente, a Ventura e o Tormento.
       À tarde, bateram à porta do hotel. Era uma senhora tímida, modesta, fisionomia bondosa, modos recatados, que desejava aposento.
         - Temos apenas um quarto, minha senhora. Foi desocupado hoje mesmo, - explicou o dono do hotel.
         E indicando-lhe o compartimento:
         - Entre! Aqui morava, até ontem, o Amor.
         - Quem? - estranhou a pretendente.
         - O Amor.
         - Ah! Não serve! - tornou a candidata, retirando-se. - Eu não posso residir onde esteve esse senhor.
         - E a senhora, quem é?
         - Eu sou a Amizade! - explicou a recém-chegada.
        E desceu, um a um, os degraus do edifício, que tinha, não se sabe por quê, a forma de um coração...

Os alunos Natália, Jaciane e Lucas do 7º ano 01 e 02, juntamente com a Professora Ângela de Língua Portuguesa, interpretaram o texto "Os Dois Hóspedes " de Humberto de Campos Veras, em forma de uma história em quadrinhos.
Ficou muito legal!
Parabéns!!





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